sexta-feira, outubro 24, 2008
Proposta Entorpecente
quinta-feira, setembro 04, 2008
Consertos e Reparos
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Aí eu viro para a Bruna e falo, sem gozação: “Tô com uma preguiça de viver ultimamente”. Ela arregala os olhos, incrédula – infelizmente, a convivência a tornou apta a reconhecer a ironia no meu tom de voz, e neste caso, a ausência dela -, e diz: “Pára de falar bobagem! Você é jovem demais pra ficar dizendo essas coisas!”. Uh, ela se irritou. Ela sempre se irrita quando me vê miserável, mesmo com toda a paciência que sempre tem comigo. Eu dou uma risada convincente, e mudo de assunto. Ela não pode entender. Talvez eu não esteja me expressando corretamente. Deixo ela e as outras mulheres na mesa tagarelarem sem mais interrupções. Às vezes, elas até me distraem. Embora a maioria saiba que eu não estou ali. Algumas vezes a minha distância as incomoda e elas me sacodem, fazem piada, arrancam algumas risadas involuntárias. E então eu volto pra elas, porque uma coisa é me sentir miserável, outra bem diferente é fazer com que os outros se sintam do mesmo modo. Eu me importo com elas, não quero que elas se preocupem comigo. Eu nem mesmo sei do que reclamo tanto, e isso que me cansa e me aborrece cada dia mais.
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Que mal eu fiz aos deuses todos?
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Fernanda e Bruna criaram uma solução: preciso de um namorado. Eu geralmente falo algo irônico/erótico que as fazem rir freneticamente quando elas mencionam tal solução descabida. Se o meu problema fosse carência, os dias seriam todos azuis. Mal elas desconfiam que isto é apenas uma estratégia infalível para mudar o rumo da conversa, e principalmente, o tema: eu. Namorar é legal, tem suas vantagens; mas não é pra mim. Eu gosto de ficar sozinha, sou egoísta. Ah, nem vou começar a enumerar os motivos para não ter um namorado.
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Nada de holofotes, por favor. Poupem o tapete vermelho para os que não tropeçam com freqüência.
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Veja só, comecei escrevendo sobre a decoração do meu quarto/batcaverna e terminei falando sobre a consultora de moda e a nutricionista – futuras, pelo menos – que me arrastam, sem reclamações, pelos dias entediantes. Será que algum dia eu vou escrever algo que realmente faça algum sentido? Algo construtivo?
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Não responda.
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Sobre a decoração, esqueça o que foi dito. A gaveta vai continuar quebrada por algumas décadas e a estante ainda agüenta o peso das palavras até o fim do ano. O quarto, bom, ainda é lilás. Vou ignorar a frase escrita na parede como faço com todo o resto, apagar a luz e dormir, desejando sonhar em acordar ontem, ou na semana passada, ou no dia em que os dias eram ansiados.
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quinta-feira, agosto 28, 2008
O poder dos morangos
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Senti minha cabeça rodar e minhas narinas arderem, a chuva torrencial estava para desabar dos meus olhos. “Não!”, gritei por debaixo do fôlego. As nuvens negras dos meus olhos pressionaram, encharcadas, mas recuaram com o horror do meu tom. Ajoelhei no chão e comecei a desfazer as sacolas, ou destrinchá-las brutalmente! Guardei os frios na geladeira e a fechei, com ódio emergindo das minhas palmas. Pude ouvir os frascos lá dentro balançarem e se chocarem. A platéia que podia me ouvir lá da sala de estar invadiu o ringue e perguntou-me, preocupada: “Você está bem?”. Engoli seco, minha voz não a convenceria da minha sanidade, eu apenas assenti. Coloquei o abacaxi em cima do mármore para fatiá-lo, fatiar a lembrança daquele rosto latente em minha mente. A invasora arregalou os olhos quando me viu puxar uma faca da gaveta e fechar a mesma, de novo com força demais. Controle-se, mulher! eu suspirei pra mim mesma ao notar sua reação. Levantei minha mão livre, impedindo sua aproximação, e fechei os olhos para me recompor. “Me dê um minuto, está bem?”, minha voz saiu quebrada e eu percebi que a tempestade estava à espera. Abri os olhos para encarar a mulher boquiaberta, e tentei sorrir. Ela torceu os lábios, enrugou a testa, mas se afastou sem dizer nada. Eu não convenceria ninguém esta noite. Ninguém. Nem a mim mesma. A rendição alimentou as nuvens ansiosas nos meus olhos, senti minha respiração desregular e o sangue subir para as minhas bochechas. Larguei a faca no mármore frio e me encolhi ao deixar meu corpo cansado cair sobre a banqueta novamente.
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É melhor deixar chover... de uma vez por todas. As nuvens ácidas derreteram o chocolate vívido dos meus olhos, apertei os com força, levando as pontas dos dedos às têmporas mais uma vez. Era tarde demais. A ardência nas narinas e nos olhos que sempre eram seguidas de uma tempestade incessante de lágrimas traiçoeiras percorria todo o meu corpo, fazia meus ossos virarem esponja, fazia do leão rugindo em meu peito um gatinho acuado. Sua tola. As lembranças enterradas e adormecidas na minha alma despertaram, atravessando minha mente, velozes, astutas, golpeando-me por todos os ângulos. Gemi um choro silencioso, reconhecendo aquela dor antiga. E, de repente, imagens turvas de uma menina pintando os lábios para impressionar alguém; uma menina corando com elogios ocasionais que lhe eram feitos, recebendo com carinho e admiração mentiras sinceras, restos e sobras. Uma última imagem, mais nítida e recente do que as outras, passou por mim agora, demorando um pouco mais para escurecer, prolongando o misto de agonia e prazer – se despedindo. Um rosto quase esquecido, pouco à vontade, sorrindo, tímido: a cena final de um curta-metragem surreal. “Ainda uma vez, adeus”, eu murmurei.
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Duas lágrimas caíram: uma pelo que poderia ter sido; outra por o que não foi. Abri os olhos, piscando repetidas vezes, limpando a visão da realidade nua e simples da minha cozinha. Apoiei minha cabeça nos joelhos e deixei os fios longos e embaraçados do meu cabelo colidirem com o chão. Sorri. Sorri largamente agora. Joguei minha cabeça pra cima, retomando minha posição. Não foi um roteiro muito criativo, não é? pensei, divertida. Que curta-metragem desconexo nossa história tinha sido. Nossa não, minha. Ele não envelheceu nem um dia, queira Deus que ele fique bem. Alma lavada.
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Voltei-me para o meu lado de dentro, analisando os estragos que esta tempestade devia ter feito. Hum, nada mal. Sorri de novo, com humor. Apenas uma velha cicatriz dolorida na minha alma, daquelas primeiras feridas da imaturidade. Pobre menina remendada. Respirei fundo antes de voltar para o abacaxi em pedaços e para os morangos recém-lavados sobre o mármore. Ah, enfim. Sorri pra mim mesma uma última vez esta noite, aspirando o cheiro delicioso das frutas na minha pele, sentindo o gosto doce e cítrico na minha língua – o gosto que a vida tinha, e que sempre haveria de ter.
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Agora já não me importava quantas vezes mais o azedume do amor se faria presente no meu ser, no meu ego ferido. Na estrada dos que não se abandonam, sempre haveriam morangos.
terça-feira, julho 29, 2008
Molduras vazias
domingo, julho 13, 2008
Viva lá revolución
domingo, junho 22, 2008
Como nossos pais
quinta-feira, junho 19, 2008
Mutante Mulher
Me sou conveniente.
Me sou suficiente, e só.
domingo, junho 15, 2008
Dia dos Namorados
sábado, junho 07, 2008
Afraid so
quinta-feira, maio 22, 2008
Epifania Pálida
segunda-feira, maio 12, 2008
< Digitar uma mensagem pessoal >
sexta-feira, abril 04, 2008
Confissão
segunda-feira, março 31, 2008
À Espera
domingo, março 16, 2008
O Salto, por Antonio Prata
A gente não tem como saber se vai dar certo. Talvez, lá adiante, haja uma mesa num restaurante, onde você mexerá o suco com o canudo, enquanto eu quebro uns palitos sobre o prato – pequenas atividades às quais nos dedicaremos com inútil afinco, adiando o momento de dizer o que deve ser dito. Talvez, lá adiante: mas entre o silêncio que pode estar nos esperando então e o presente – você acabou de sair da minha casa, seu cheiro ainda surge vez ou outra pelo quarto –, quem sabe não seremos felizes? Entre a concretude do beijo de cinco minutos atrás e a premonição do canudo girando no copo pode caber uma vida inteira. Ou duas. Passos improvisados de tango e risadas, no corredor do meu apartamento. Uma festa cheia de amigos queridos, celebrando alguma coisa que não saberemos direito o que é, mas que deve ser celebrada. Abraços, borrachudos, a primeira visão de seu necessaire (para que tanto creme, meu Deus?!), respirações ofegantes, camarões, cafunés, banhos de mar – você me agarrando com as pernas e tapando o nariz, enquanto subimos e descemos com as ondas – mãos dadas no cinema, uma poltrona verde e gorda comprada num antiquário, um tatu bola na grama de um sítio, algumas cidades domesticadas sob nossos pés, postais pregados com tachinhas no mural da cozinha e garrafas vazias num canto da área de serviço. Então, numa manhã, enquanto leio o jornal, te verei escovando os dentes e andando pela casa, dessa maneira aplicada e displicente que você tem de escovar os dentes e andar ao mesmo tempo e saberei, com a grandiosa certeza que surge das pequenas descobertas, que sou feliz. Talvez, céus nublados e pancadas esparsas nos esperem mais adiante. Silêncios onde deveria haver palavras, palavras onde poderia haver carinho, batidas de frente, gritos até. Depois faremos as pazes. Ou não? Tudo que sabemos agora é que eu te quero, você me quer e temos todo o tempo e o espaço diante de nossos narizes para fazer disso o melhor que pudermos. Se tivermos cuidado e sorte – sobretudo, talvez, sorte – quem sabe, dê certo? Não é fácil. Tampouco impossível. E se existe essa centelha quase palpável, essa esperança intensa que chamamos de amor, então não há nada mais sensato a fazer do que soltarmos as mãos dos trapézios, perdermos a frágil segurança de nossas solidões e nos enlaçarmos em pleno ar. Talvez nos esborrachemos. Talvez saiamos voando. Não temos como saber se vai dar certo – o verdadeiro encontro só se dá ao tirarmos os pés do chão –, mas a vida não tem nenhum sentido se não for para dar o salto.
sexta-feira, março 14, 2008
Almost
domingo, fevereiro 10, 2008
Getting Closer
quarta-feira, fevereiro 06, 2008
Tarô
sábado, fevereiro 02, 2008
Não é amor
domingo, novembro 25, 2007
Into Me
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Tied up and twisted, the way I'd like to be
For you, for me, come crash into me, baby
domingo, novembro 18, 2007
Saudade, um beijo
Me senti confortável no terceiro banco do lado direito de todos os dias, e suspirei longamente, tão orgulhosa e satisfeita. O tempo traz milhões de coisas, mas também leva. Ah, que menina tola. Pensei tanto em como esquecer que, num dia como outro qualquer, "Não é tanto, não dói mais.".
De pensar que eu quase abandonei os tabuleiros quando ele me pediu para deixar de lado. É isso que eu faço, eu transformo quem amo no que eu preciso. Nem que seja para deixar na estante, ao lado dos livros que o tempo cobre de pó.
Posso enfim continuar - e vou. Não te amo mais, adeus.


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