domingo, setembro 30, 2007

Do que passou, e calou

Chegou em casa por volta das sete horas da noite, sem sentir os pés. Ah, as pernas tão subestimadas a trouxeram para casa sã e salva, sem tropeçar nas pessoas ou pisar em poças d'água. Chegou com aquele cheiro de shopping, conhece? Aquele cheiro, aquele misto de fast food, café expresso com chantilly, ar condicionado e centenas de fragrâncias de perfumes, shampoos e desodorantes. E esse incômodo, nem o alívio de em casa chegar, nem o sofá acolhedor, nem o orgulho dos pés inchados é capaz de silenciar.
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Mas comecemos do início e vamos logo ao motivo da vida tê-la levado às multidões dos shoppings - o que não é um de seus maiores prazeres, para não dizer que é o menor. Precisava comemorar-se, eis a verdade. Não sentia tal necessidade, mas do mesmo modo como somos sociáveis quando não queremos ser, acabou por achar necessário. Comemorar-se. Mais um ano de altos e baixos, de picos, de beira de estrada, de escadaria de igreja. Mais um ano que faz dela a inconstância que esta boa moça é. "Está adiantada", um conhecido diria. Mas resolveu comemorar-se antecipadamente, com o objetivo de passar a data em branco sem parecer completamente infeliz consigo. Começar a segunda-feira como uma segunda-feria qualquer, de costas largas e ombros baixos. Começar o primeiro dia de sua vida, como um primeiro dia de mês; dia de pagar contas, de receber o salário e ver o mesmo sumir com a fila do banco.
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E foi. Sem o salto alto costumeiro, sem roupas sofisticadas. Jogou em si o velho jeans e o desbotado agasalho, e foi. Deveria ter chamado os poucos e bons amigos, os pais e a irmã que fosse, mas não; optou por cadeiras vazias e o Rilke que ganhou de presente. Cansou da falta de distração e de observar desconhecidos, assistiu um filme. Depois foi comprar seu presente, sem grandes expectativas. Seguindo o fluxo, às vezes na contra-mão pelo prazer de variar. Caminhando sutilmente, era um tanto de ambições, algumas lembranças e um dedo de tédio - um devaneio solto.
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"Talvez seja o sábado", justificou. Particularmente, ela odeia os sábados. É este o dia de pendurar no cabide todo o cansaço que a semana proporcionou, o dia do intervalo na correria, de perder-se propositalmente. Ah, a felicidade barata de um sábado. Quão cínica és tu.
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E, finalmente, mais um ano. Você, positivista, deve pensar "pobre mulher". Mas compreenda, ela aprendeu a duras penas que os anos ensinam coisas que os dias desconhecem. E, sem vontade de se encaixar no comum, no previsível, segue esta vida na contra-mão. Deseja comemorar-se, deseja essa atenção todos os dias do ano. Deus queira que nessa volta aos trilhos, tal dádiva seja concebida. E devidamente desfrutada.
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Voltemos ao final do começo. Do arrependimento de ter saído porta afora. Mas ao voltar, ao retornar pôde perceber que o que era merecidamente seu, por posse e direito, por ter compartilhado os melhores anos de sua vida, havia se libertado. Havia, sim, uma Gabriela no futuro do seu sempre amado e querido - e ainda assim, quase esquecido -, no seu forever and after, mas ao voltar-se para quem ela não soube cuidar, percebeu que esse nome mudara de endereço, e sobrenome. Encerrou este ano com uma dor profunda de perda perdida para sempre, belos lábios e poucas palavras.
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E o que virá, dirá.

domingo, setembro 23, 2007

Pormenores

Tanto homens quanto mulheres são mais felizes na guerra. Mesmo que seja uma guerra sem herói e sem causa, sem destino. É esta verdade que nos faz pelejar com a força de dez mil guerrilheiros por qualquer pequeno amor que seja. Consciente da morte ou da vida que possam ser encontradas ao fim de tal empreitada. Perguntam-me se a vida é maior que a morte, quando a única certeza é que o amor é maior que os dois.

Se quem chegou, partiu. Se quem virá, já foi. Só para quem fica os dias são todos iguais. E lágrimas fogem de ti; e lágrimas fogem de mim. E um rio se forma de nós. Se a vida é uma longa espera, então ensina-me a te esperar. Se a vida é breve primavera, deixe-me dela beber... E já.

Os enérgicos dias andam se entrepondo em nossas vidas, há muito tempo. O nosso ontem é tardio. O nosso hoje é muito pouco. E o nosso amanhã, ninguém sabe.

Eu quero te dizer que nada lamento. Se eu pudesse viveria tudo contigo outra vez - o nosso tudo sem pausa e sem nome - da maneira que foi. Porque da maneira que poderia ter sido, jamais saberemos.

domingo, setembro 16, 2007

Do you like me now?

Há uma filosofia nas poesias de todos os séculos, nas músicas, nos embriagados. Há em tudo que sente, uma filosofia, uma crença. Há uma crença, eu espero, na descrença dos céticos.
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Cínica, eu procuro ler e em mesmo tom escrever curtos parágrafos que instiguem à você, meu caro alguém. E nesses rabiscos avulsos eu procuro, plena de todo meu conhecimento em seu sentimento adormecido, abusar das figuras de lingüagem e da sinestesia. Que fique encoberto, não o faço para tornar explícita a minha verdade, como o bem de me supliciar que ela faz.
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Submersa na dor de um pseudônimo - que divide o meu reflexo em dois, enquanto eu escolho quem eu quero ser por hoje, e amanhã é depois. E se eu quisera este nome, tuberculoso e pungente, para que o faça refletir em suas lamentações matutinas, minha alma estará salva destes deuses capitalistas. Pois o farei, despretensiosa quanto ao resultado, ver que o seu fardo comparado ao meu é ridiculamente ínfimo. E nesse vereda de luz efêmera, você dará o valor subestimado à sua desprezível vida de alienado à uma era em que se come ouro no jantar.
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O meu propósito? É fazer você gostar de mim, certo de sua piedade e satisfação; quando eu, intencionalmente, não sou essa jovem escritora decadente coberta de limbo. Quando, na verdade, eu sou passos em sintonia com o resto do mundo, caminhando pela Oscar Freire. De Chanel e rímel.
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A minha crença, turva e vil, é na desconfiança desse mundo, e como você já deveria saber, na languidez da Verdade.

sexta-feira, setembro 07, 2007

Cafés Alados

Parou na esquina da correria, descompassada. No balcão da cafeteria, tirou da bolsa o livro mais novo e "Cinco Minutos, só cinco minutos". Apoiava-se sobre uma das pernas, pendendo de um lado para o outro, cotovelos na borda do mármore, estava exausta. Preferiu sentar-se e esquecer-se do inconveniente relógio sob a malha fria da blusa branca de mangas longas. Na mesma inerte mesa rústica de todos os fatídicos dias, uma cadeira vaga. Sentia-se triste; uma tristeza acolhedora, dessas dos dias nublados, guardada no armário com os casacos semi-novos.
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Observava absorta os faróis dos carros dobrando a esquina, enquanto o escurecer carregava uma garoa fina. Cheiro de chuva, de poeira assentada aos poucos, e o som dos pneus acelerados sobre o asfalto embriagado.
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Estava à espera. De um passado, de um futuro, não há como saber. Esperava ansiosamente um presente dos deuses de tudo que existe, uma reorganização do universo à seu favor. Mas não. Uma hora e cinco minutos desencontrada por si mesma. Sobre a mesa, uma xícara de café pela metade e um croissant rejeitado. Pegou o celular, levou-o até a orelha, mas só ouviu o doloroso som da linha desocupada há meses.
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"Longe daqui, tarde demais. Nunca talvez!", e levantou-se bruscamente. Dirigiu-se ao caixa, insatisfeita, incomodada. Algo faltava pesando no ombro esquerdo, seria um abraço, seria... "A bolsa!". Atravessou a cafeteria correndo, já imaginando o prejuízo, delegacia às 20h da noite, funcionários grosseiros...
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Chegando à mesa, o chão ameaçou ceder. Pernas trêmulas, ardência nos olhos e no nariz seguida de lágrimas silenciosas. Sobre a mesa a bolsa estava, intocada. Uma cadeira estava ocupada pelo presente, ausente em tempos de contemplativas vagas visões, mas agora, justo agora, ali. Olhares segredantes e o céu abre-se em sorrisos tortos.
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- De todas as pessoas no mundo, eu não esperava por você.
- É, cheguei três anos atrasado - ele sorri timidamente.
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Ela aproxima-se, avariada.
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- Senta, pequena, toma um café comigo.

terça-feira, setembro 04, 2007

Alma Inquieta


I

Noite ainda, quando ela me pedia
Entre dois beijos que me fosse embora,
Eu, com os olhos em lágrimas, dizia:

"Espera ao menos que desaponte a aurora!
Tua alcova é cheirosa como um ninho...
E olha que escuridão há lá por fora!

Como queres que eu vá, triste e sozinho,
Casando a treva e o frio de meu peito
Ao frio e à treva que há pelo caminho?!

Ouves? é o vento! é um temporal desfeito!
Não me arrojes à chuva e à tempestade!
Não me exiles do vale do teu leito!

Morrerei de aflição e de saudade...
Espera! até que o dia resplandeça,
Aquece-me com a tua mocidade!

Sobre o teu colo deixa-me a cabeça
Repousar, como há pouco repousava...
Espera um pouco! deixa que amanheça!"

- E ela abria-me os braços. E eu ficava.


II

E, já manhã, quando ela me pedia
Que de seu claro corpo me afastasse,
Eu, com os olhos em lágrimas, dizia:

"Não pode ser! não vês que o dia nasce?
A aurora, em fogo e sangue, as nuvens corta...
Que diria de ti quem me encontrasse?

Ah! nem me digas que isso pouco importa!...
Que pensariam vendo me apressado.
Tão cedo assim, saindo a tua porta.

Vendo me exausto, pálido, cansado,
E todo pelo aroma de teu beijo
Escandalosamente perfumado?

O amor, querida, não exclui o pejo...
Espera! até que o sol desapareça,
Beija-me a boca! mata-me o desejo!

Sobre o teu colo deixa-me a cabeça
Repousar, como há pouco repousava!
Espera um pouco! deixa que anoiteça!

- E ela abria-me os braços. E eu ficava.


Olavo Bilac. In: Poesias.


Um dia desses amanheceu.
Uma garoa fina, silenciosa,
Ela partiu.

- Guardando abraços,
e o borrão de café na camisola.

quinta-feira, agosto 16, 2007

Sweeter

Não há felicidade maior. Um flerte, uns olhares traiçoeiros, uns sorrisos despercebidos.
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A Sra. das Peripécias Desimportantes me buscou, tarde da noite. Na garagem, desligou o carro e iniciou um quase monólogo. Não pude ouvir, não conseguia ouvir uma só palavra claramente. Observava suas mãos, gesticulava muito, aumentava o tom da voz. Eu balançava a cabeça em reprovação a cada pausa que ela fazia, como se esperasse uma resposta. Não foi proposital, tentava me concentrar mas não podia, estava em outro lugar.
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Sorri um desses sorrisos despercebidos relembrando aquela tal conversa recheada de malícia e segundas intenções. Mentes perigosas. Ela parou de gesticular, nem movia-se, inacreditando naquele sorriso de canto de boca, afinal, o assunto era seríssimo (?!).
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E novamente o silêncio me faz descer das nuvens. Fico assim, inteiramente satisfeita com o pouco que você me deixa - porque mal me larga e já me agarra. Fico aqui, ou ali sozinha no carro, guardando cada você comigo, para outro encontro logo mais.
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"Você não deveria ser a substituta de ninguém, menina."
Àquele, que não sabe a felicidade que me traz.

domingo, agosto 05, 2007

Permutável

Não é uma questão matemática.
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Mesmo que todos, por trás de portas bem trancadas, sejam um pouco mais humanos. Apelativos, fracos, frágeis. Todos necessitados, insatisfeitos, desiludidos. Implorando por um telefonema, uma carta. E, algumas tantas vezes, você realmente precisa correr na direção da contra-mão, só para ver quem se habilita a se afogar em um poço alheio.
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Ao sair porta afora, vestimos nossas máscaras. Todos plásticos, frígidos, desconsolados. Desacompanhados pela nossa própria determinação ou simples desejo, simples "care about". Umas noites mal dormidas, e o único Deus que todos servem é a propaganda de uma vida irreal.
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Passamos toda a nossa vida velando cada detalhe, escrevendo nossos livros, descrevendo as calçadas minuciosamente. Quase tudo sobre nós, nossos mundos paralelos. E a única parte que deixamos de fora é a verdade. Que de tanto ignorar, deixou de existir. Que alívio!
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Mas a verdade, a impiedosa e imponente verdade, é que depois de muitos anos, você usa a máscara por tanto tempo, que esquece de quem costumava ser debaixo dela. E como tudo que um dia teve o seu merecido valor, desaparece, é substituído por algo prático.
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Em breve, muito além dos guardanapos e embalagens, nos tornaremos descartáveis. Substitutos e substituídos. Esse é o futuro, esse é o horizonte. A linha que recua conforme nos aproximamos. E o som dos violinos pincela o fim delicadamente quando descobrimos que temos um horizonte. Há um nome, há um endereço, há para onde rumar. E, tantas vezes, é tarde demais.

- Se for assim, eu nunca te conheci de verdade.
- Sou essa, que está falando com você exatamente agora. Mas é aqui onde eu fico, entre você e o vestígio do que eu poderia ter sido.
- Então o que eu fui para você?
- O meu breve horizonte.

domingo, julho 29, 2007

Ainda Há Tempo

Acordou tarde no meio do silêncio que cobria toda a casa. Caminhou pelo corredor, fez um chá e se abandonou no sofá. Televisão desligada, janelas fechadas e um frio insuportável. Meias até os joelhos, metade do cabelo preso, não agia como se fosse bonita, nem que realmente estivesse, porque o espelho só refletia tristeza. Uma falta enorme, um vazio, uma solidão. Só aí percebeu o quão sozinha tem se tornado. Dia após dia, o único som na casa das paredes surdas, tem sido o som do despertador, pontualmente às 6h30 da manhã. Levanta exausta, não dorme mais como antes, simplesmente não dorme mais.
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O emprego é bom, o salário é digno e as aulas são suficientemente explicativas. De onde vem a falta? Falta do quê? Desistiu de responder e culpar-se, ou mesmo culpá-lo. Tomou um banho, deixou o vidro embaçar, decidiu não chorar e finalmente deixou o amor que já estava por se acabar. Ele se foi. Aceitar a ruína de si e de tudo que poderia ter sido foi o melhor que ela pôde fazer, para ambos os fracassos. Pessoas vêm e vão. Umas voltam, outras não. E, contudo, poucas permanecem.
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Que para nós nunca houve um amanhã após telefonema, após declaração. Que o amanhã nunca chega, dependa de nós ou não. Por hora, eu só gostaria que ele tivesse ficado um pouco mais, um pouco depois, um pouco tarde.
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Cansou de buscar um comum, um honesto, um verdadeiro. Daqueles, para chamar de meu. Queria ser encontrada, e sua impaciência lhe trouxe todas essas desilusões. E por onde recomeçamos quando nunca houve um fim seguido de ponto final e um doce adeus? Não o faremos. Parece simplório demais para sair da boca do caos que é ser ela. Mas aceitou, educadamente. Pela falta de opção, para sustentar a máscara, quem sabe? Mas aceitou os caminhos que a vida desenha; desses desenhos de criança, ingênuos, desalinhados.
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Entardeceu ao som dos pianos naquele dia. Felizmente, ela decidiu não deixar mais a vida passar diante de si. Que a vida é curta, e a felicidade menor ainda. Não é algo palpável, mas sim perecível. O caminho a percorrer, a busca, o que você faz para chegar até lá, é o que vale a pena. A felicidade é um único momento, frágil, efêmero. Uma música, um telefonema, um dobrar de esquina, e já passou, não está mais lá.
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Lembrará com a saudade de uma foto antiga, todas aquelas tardes.
Que ainda há vida por trás das cortinas. Ainda há tempo.

sábado, julho 21, 2007

Together

- Está pronta? Podemos ir?

Ela terminou de colocar os brincos e dirigiu-se à porta. Contou todos aqueles dezesseis degrais - e quão intermináveis pareciam. Ele a esperava no pé da escada, sorrindo, contente. A segunda moça que carrega para emergências surgiu, retribuiu os sorrisos e o contentamento.

Entraram no carro.

- Pode escolher a música - ele disse.

Ela queria ouvir o silêncio dos sapatos baixos novos, mas colocou a última música adicionada ao MP3, Something A Bit Vague, de Julie Delpy. Ela queria a calma, a quietude da estrada... Mas era uma emergência, aquela de não decepcionar o carinho e a vontade de cuidar daquele rapaz.

Chegaram, desceram do carro. Delicadamente ele aproximou sua mão da mão dela. Incerto de que deveriam chegar de mãos dadas ou não, não chegou a entrelaçar os dedos, como se esperasse uma resposta. Ela sentiu aquela mão fria e insegura, saiu daqueles mundos paralelos em que vive, e respondeu o que ele queria ouvir. Ouvia-se ao longe um violino e via-se luzes quase parisienses.

- Aqui estamos, juntos.



E naquele quase imperceptível momento, ela decidiu jamais deixá-lo só.

quinta-feira, julho 19, 2007

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For every heart that cries,

love left a window in the skies.
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sexta-feira, julho 13, 2007

Leaving Behind

Hoje me ocorreu que algumas vezes, aquilo que mais queremos entre todas as coisas é o tudo que nos falta para deixarmos de sermos nós. E errantes, desequilibrados ou, ainda, apenas nós... Largamos, desistimos, abandonamos. Abandonados pelo nosso próprio mistério, pelo nosso direito de amar.

O quê mais queremos... Nossa fraqueza, nosso poder, nosso suplício e, ainda que em doses homeopáticas, nosso deleite. Mas a pergunta paira no ar: Corajosos ou covardes? Apenas um pouco menos infelizes. Nem mesmo a realidade pode ser mais cruel do que a ilusão. Não vale a pena viver sonhando e se esquecer de viver.

É preciso ter coragem, então? Para deixarmos para trás quem mais amamos? É preciso ser altruísta o suficiente para jogar pela janela da vida em movimento a nossa felicidade? Sim, é a resposta.

Mas será preciso ser covarde? Ser egoísta para sermos, ainda que infelizes, conformados com a estabilidade de nossas vidas? Sem altos e baixos, sem provar o irresistível? Sim, é a resposta.

No mesmo hoje me pediram para explicar o porquê das roupas desbotadas, das meias trocadas e da palidez no rosto - dessas que só surgem quando nada encobre o silêncio. "Perdi o insubstituível", disse. Antes que o alguém não soubesse o que dizer em seguida, completei: "Perdi, não. O abandonei consciente da dor que me perseguiria e que, como vê, me faria decadente, descendente do amor que digo sentir", e subi as escadas sem esperar um comentário.

No fim, seremos o tempo desperdiçado em não-ações, não-amores... Seremos consequências. Acreditando, mesmo que secretamente, que aquilo que mais quisemos um dia aparecerá na nossa porta, ao lado do jornal, com um ramalhete de flores. E nesse momento, nessa ínfima possibilidade, conheceremos o gosto da felicidade combinado com todo o tempo perdido.

domingo, junho 24, 2007

Cá Entre Nós

Cedo acordou e no jeans 38 entrou. Atravessou o corredor e percebeu que a casa precisava de cor. "Comprarei as flores eu mesma", pensou. Bateu a porta como se não fosse voltar - e até então, realmente não voltaria. Desceu os degrais apressadamente e ouviu algo cair no chão. Mas nada a faria voltar atrás. Nada.
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Enquanto esperava o ônibus e estalava dedos, costas e nuca, abriu a mão direita - o lembrete era claro, "Respire". Tomou o ônibus e sentou ao lado da janela. A beira da estrada era a única testemunha do seu desaparecimento. "Silenciosa estrada, eu espero", sorriu.
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Três horas e meia de viagem e ela só queria dormir. Nada mais. Mas quando se tem insônia você nunca realmente adormece. E você nunca realmente acorda. Buscou uma distração qualquer através da janela empoeirada. Nada, era só o asfalto de uma estrada que ela jamais havia visto, e ridiculamente como todas as outras.
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Pensou nos valiosos objetos que deixou para trás. Nas suas coleções, suas páginas e mais páginas de folhas espalhadas pelas gavetas. Podia ver todos aqueles metros quadrados vazios e em tantas ocasiões entulhados de pessoas luxentas, que só estavam lá para falar dos segredos dos outros, e desses outros aterrorizados pela possibilidade dos seus pecados explícitos. Ah, Sophie, sempre dando festas para encobrir o silêncio. Fechou os olhos e podia tocar aquelas paredes desgastadas e descoloridas... "As flores!".
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Levantou ofegante e acionou a campainha. Desceu no ponto seguinte de "lugar-nenhum". Imagine um deserto acutilado por uma estrada e cercado de ventos arenosos onde você é o que os atrai. Imagine e estará lá, também. Sophie sentou-se em um banco pouco convidativo, levou as mãos a cabeça e admitiu: "Estou perdida". Em seguida soltou uma risada que pareceu ecoar por todo aquele deserto.
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Foi então que ele apareceu: "Tá fugindo de quem?". Era um homem alto, jovem, apático e só tirava as mãos dos bolsos da jaqueta de couro para acender o próximo cigarro. Havia algo extremamente atraente nele, Sophie percebeu desde a primeira vez que lhe pôs os olhos.
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"O quê?", ela respondeu. "É, fugindo de quem?", ele insistiu enquanto acendia um cigarro. "O que o faz pensar que eu estaria fugindo de alguém?", ela replicou usando seu tom mais culto. "Tem um excesso de desespero na sua risada", ele esticou o pescoço e fitou-a enquanto aproximava-se. Ela, gaguejou umas sílabas e não chegou a dar uma resposta. Mas ficou pensando no ato de fugir, no desespero que sentia e principalmente: "Do quê eu fugi?". Ele a ouviu murmurar, ofereceu um cigarro, e: "Precisa de ajuda?". Ela esticou a mão e levou o cigarro a boca, ele acendeu. "Eu não tinha porquê fugir, não comprei as flores, não sei onde estou e nem como voltar, e aceitei um cigarro de um estranho" e ele "Pra ser sincero, acho que eu sou a sua menor preocupação".
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Os dois riram e conversaram por horas no deserto sem pêndulos. Até que um ônibus surgiu no horizonte. Seria aquele ou nada mais importaria além do momento, de estar ali com aquele estranho e da felicidade barata que sentia. "É isso, é o adeus" e ela "Acha que vamos nos ver de novo, algum dia?" e ele "Você sabe onde me encontrar, linda Sophie".
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Não, ela não sabia. Mas entendeu que, por destino ou acaso, ele estaria lá todas e quantas vezes ela precisasse. Sem promessas, sem endereços, sem testemunhas. No final, tudo o que resta é o que sabemos que vivemos e o que nos faz ser quem somos, mesmo que desconhecidos ou estranhos, ou perdidos.
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Sophie subiu no ônibus e acenou para ele. Ele acenou de volta, e da mesma maneira que surgiu, desapareceu. Chegando em sua pequena cidade ela comprou as flores. As pessoas, as ruas, as calçadas, tudo do mesmo jeito que ela havia deixado. Vez em quando, ela se perdia quase que propositalmente, pois sabia... Ele estaria lá.

quarta-feira, junho 13, 2007

Azo ao Derradeiro

Que não me condenem os amores e os amados, mas daquela singela delícia eu padeci. Talvez o cair em mim deva-se ao calçar e descalçar botas de outrem, o que não apaga o sofrimento titulado como suplício.
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Seu momento da verdade é efêmero e derrocado, no encaixar das palavras é inconsciente. Não culpo você. Seria desinteressante e monótono se não fosse exatamente como é. Sua mentira é contingente, e nem por isso menos apaixonante. Mas minhas mãos estão gastas de tanto pincelar seus delírios. De contornar seus lábios para os mesmos me arrebatarem e, então, me largarem o corpo e a alma para que o tempo me faça perecer com indiferença.
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Pobres deles! São meus livros que escrevem-se com tinta chorosa e borralheira, devido ao indecifrável mistério que recolhe em seus olhos.
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É o que digo, meu bem, arrependida antecipadamente. O tudo que sobra de você em mim, arrastando-se, precedido de ponto final, são os papéis avulsos sobre a mesa das noites incuráveis. E fim.
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Pois o meu fardo já é dádiva, e a sua dúvida é lamentável. Sua perda resume-se a nada, mas informo-lhe que este nada que lhe escreve encontrou num dia como outro qualquer um futuro e um amor certo para seguir. Mesmo que como os que foram e os virão, este esteja fadado ao triste fim.
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Por você e por mim, vou fazê-lo todas as boas lembranças que nós merecemos um dia.

domingo, junho 10, 2007

De tudo que aprendi nos discos

Houveram pêndulas e uma doce melodia de Elis. Ela acordou há anos, acordou no leito de sua avó, talvez. Explodiam bombas e gritos sufocados de um país quase perdido. "Os canhões têm sua beleza", pensou. Desceu as escadas do sobrado esverdeado e sombrio. Caminhou pelas ruas sangrentas de 1982. Nunca respirou tanto Brasil antes. Todas as imagens corriam pelas calçadas, e ela ali, vivendo o passado que gostaria de ter vivido.

Os meses passaram como nuances, até que chegaram ao fim do silêncio. O dia é 15, o mês é Janeiro, o ano é 1985 e a esperança tem nome - Neves. O verão deve ter sido o culpado do foco de luz naqueles sorrisos e tantos abraços em desconhecidos, das lágrimas caindo pelas perdas e pelo ganho de mais um dia enfim, e o turbilhão de alegria.
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Gente jovem reunida...

Ela acordou com Elis espalhando-se por debaixo de sua pele. Estava em seu quarto, com seus livros, seus discos e sua confortável realidade. Mas nada poderia apagar o passado, aqueles rostos e o som dos canhões. Suspirou descontente, já sentindo saudade de tudo que ela nem se quer viveu, nem se quer acordou para sonhar.

Elis lhe faz companhia enquanto ela tenta, ao menos, revolucionar seu próprio guarda-roupa.


"Já faz tempo
eu vi você na rua
Cabelo ao vento
Gente jovem reunida
Na parede da memória
essa lembrança é o quadro
que dói mais
Minha dor é perceber
que apesar de termos feito
tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos como nossos pais"

sábado, junho 02, 2007

Depois do Amanhecer

Despertou um pouco depois do mundo despertar lá fora. Sentia-se deslumbrante. Vestiu a camisa branca que deixou de cobri-la no quadril. Caminhou em passos quase divinos até a cozinha, preparou um café e tomou o primeiro gole encostada na pia. Atravessou as salas e parou em frente a lareira, ainda queimando em chamas frágeis. Lembrou-se da noite anterior e do que havia esquecido sob os lençóis. Voltou a cama em passos silenciosos e, ao deparar-se com o sol nascendo através da janela, notou que não estava sozinha. Pegou uma cadeira e levou-a para o centro do quarto pitoresco. Sentou-se, tomou mais um gole de café e sorriu, quase que despercebidamente.

Terminou o café e o corpo sobre a cama permanecia adormecido. Uma brisa de maio invadiu a cena pela fresta da janela entreaberta, arrepiando até os calcanhares, interrompendo a contemplação daquela felicidade tão branda, tão cinematográfica.

De repente, fixou o olhar dilatado na sutileza dos movimentos do corpo que, talvez também sentindo os sopros da estação, despertava lentamente. Ele começou a levantar-se quando a viu imóvel, hesitante. Sorriu em sua direção e com voz de sonho, pediu para que ela ocupasse o espaço vago na cama. Ela desfez-se da dúvida e encaixou-se no abraço confortante daquele sorriso doce.

O amor estava lá. Ela podia sentir em seus ossos.

quarta-feira, maio 23, 2007

Nuances

Desde que me ouviu cantarolar Imbranato, em cada silêncio no espaço entre nós ele me pede para cantar "whatever, beauty" em italiano. Me pega nas curvas das peripécias que conto - porque com ele, eu falo compulsivamente - e num silêncio que eu não sei de onde vem; um cruzar de pernas, um jogar de cabelo ou um discreto bocejar. Ele leva uma das mãos ao queixo enquanto a outra segura firme a minha, e apoia o cotovelo na ponta da mesa. Às vezes, ele sorri despercebidamente e eu me pergunto se os meus olhos me entregam, e paro: "O que foi?" e ele "Nada, nada... Eu gosto de ouvir sua voz". E deveriam filmar esses momentos, pois eu posso jurar que nada disso existe, que são nuances de um sonho bom. E se assim for, eu lhe imploro, não me acorde.

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"E até quem me vê
lendo o jornal na fila do pão,
sabe que eu te encontrei"

sábado, maio 19, 2007

Don't give your love away

Chegou em casa como furacão e foi jogando os livros pelo corredor. Entrou no chuveiro na esperança de aliviar-se. Jogou os braços no vidro embaçado e em linha vertical, abandonou-se. Bateram a porta muda e nenhum ruído de lá saiu. Insistiram três ou quatro vezes, mas logo perceberam que só fariam esperar.
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Do lado de dentro os sentimentos eram intensos e confundiam-se. O gosto ácido de arrependimento na boca não a deixava levantar. A água, que antes escorria como perdão divino, não lavava sua alma, não mais. Sua mente corria em anos-luz, rejeitando o passado, buscando um destino. Criou milhares de desculpas para si mesma e, ao fim, percebendo que não haveriam argumentos convincentes, admitiu. Matara o amor naquela manhã de muitos casacos e poucos motivos.
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Uma, duas, três. Quantas vezes a mesma lamentável história vai se repetir? Ao trancar a porta é tudo desapego. Brindou a decadência e a ausência de esperança num grito interno.
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(A quebra do silêncio que só você escuta.
A quebra do silêncio que só, você escuta.)
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Desligou o chuveiro. Enrolou-se na toalha branca com seu nome bordado em letras grandes. Passou a mão pelo espelho que só refletia vultos e não reconheceu a mulher que havia se tornado. Não ouviu sua voz, mas leu seus lábios que diziam: "Então, isso é felicidade para você?"
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Destrancou a porta e atravessou o corredor como quem não conhece o caminho de onde se quer chegar. Sentado na cadeira, ela encontrou aquele rosto de expressões tão doces enterrado em suas mãos. Notando sua presença, ele levantou-se e não disse nada - e nem precisava - os olhos diziam todas as verdades. Nos olhares perdoaram-se e num abraço exagerado, encontraram-se como quem se perde e só pensa em voltar para casa, para o conforto. Sem longas frases, concordaram: "That reality, it's going to eat us alive."
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Sairam de casa naquele dia como se o desespero jamais tivesse estado lá.

sexta-feira, maio 11, 2007

Behind Blue Eyes

Os observadores olhos azuis da sala ao lado resolveram me atirar do penhasco, hoje. Por fim, confessaram em tom de segredo a minuciosa narrativa que me tem como tema. Oh, sad blue eyes. Escrevo trechos da carta que me fez morrer - de felicidade. E revelou o que era meu - meu mistério.
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"Ela sempre carrega um livro dentro da bolsa. Surge um diferente em torno de três dias e acredito que leve esse tempo para lê-los. Deixou de ser opcional, eu acho."

"Ela tem uma calma no olhar que eu não sei quão profundo me atinge, e paralisa. E mesmo nervosa, quando estrala os dedos e morde levemente o canto da boca, ela consegue ser doce."

"Hoje o sorriso dela estava tão triste. Quase passou despercebido, ela se esforça pra se segurar. Ligou e desligou o celular muitas vezes. Depois olhou pra mim e antes que eu me levantasse, sorriu um sorriso desiludido, de quem se cansa de esperar mas não desiste."

"Ela teve um amor, já deu pra sentir. O modo racional como ela fala de relacionamento não me convence. Tanto mistério por trás daquelas mãos amáveis."

"Qualquer adjetivo pode parecer meio bobo quando se está tão perto de conhecê-la verdadeiramente. Ela é o tipo de garota que a gente encontra por acaso, ali ou aqui, talvez numa torrente de azar e quando se dá conta já não consegue ficar longe. Eu não consigo."
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Quando terminei de ler as quatro folhas, extasiada, emocionada, meio morta e meio viva, disse: "Logo você, dono desses olhos suspeitos!"

Ele respondeu, sorrindo: "Agora eu sou culpado, confesso."



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My own world behind those blue eyes.

domingo, abril 29, 2007

Striptease

Chegou no apartamento dele por volta das seis da tarde e sentia um nervosismo fora do comum. Antes de entrar, pensou mais uma vez no que estava por fazer. Seria sua primeira vez. Já havia roído as unhas de ambas as mãos. Não podia mais voltar atrás. Tocou a campainha e ele, ansioso do outro lado da porta, não levou mais do que dois segundos para atender.
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Ele perguntou se ela queria beber alguma coisa, ela não quis. Ele perguntou se ela queria sentar, ela recusou. Ele perguntou o que poderia fazer por ela. A resposta: sem preliminares. Quero que você me escute, simplesmente. Então ela começou a se despir como nunca havia feito antes.
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Primeiro tirou a máscara: "Eu tenho feito de conta que você não me interessa muito, mas não é verdade. Você é a pessoa mais especial que já conheci. Não por ser bonito ou por pensar como eu sobre tantas coisas, mas por algo maior e mais profundo do que aparência e afinidade. Ser correspondida é o que menos me importa no momento: preciso dizer o que sinto".
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Então ela desfez-se da arrogância: "Nem sei com que pernas cheguei até sua casa, achei que não teria coragem. Mas agora que estou aqui, preciso que você saiba que cada música que toca é com você que ouço, cada palavra que leio é com você que reparto, cada deslumbramento que tenho é com você que sinto. Você está entranhado no que sou, virou parte da minha história."
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Era o pudor sendo desabotoado: "Eu beijo espelhos, abraço almofadas, faço carinho em mim mesma tendo você no pensamento, e mesmo quando as coisas que faço são menos importantes, como ler uma revista ou lavar uma meia, é em sua companhia que estou". Retirava o medo: "Eu não sou melhor ou pior do que ninguém, sou apenas alguém que está aprendendo a lidar com o amor, sinto que ele existe, sinto que é forte e sinto que é aquilo que todos procuram. Encontrei".
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Por fim, a última peça caía, deixando-a nua:"Eu gostaria de viver com você, mas não foi por isso que vim. A intenção é unicamente deixá-lo saber que é amado e deixá-lo pensar a respeito, que amor não é coisa que se retribua de imediato, apenas para ser gentil. Se um dia eu for amada do mesmo modo por você, me avise que eu volto, e a gente recomeça de onde parou, paramos aqui".
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E saiu do apartamento sentindo-se mais mulher do que nunca.
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Por Martha Medeiros.
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E tudo que eu gostaria de dizer.
Da coragem, só restou a poesia.

sexta-feira, abril 27, 2007

Lovely Friday

São sextas-feiras como esta - cinzentas, chuvosas, mas muito confortáveis - que fazem a semana valer a pena. À noite, como de costume, fui alugar alguns filmes. E após uma longa e deliciosa conversa com o Ricardo (o cara do "oi! tudo bom?"), os meus bolsos esvaziam-se e o meu coração bate acelerado por essa enorme e eterna paixão por cinema. Os filmes dessa sessão você pode conferir no The Script, nos próximos dias.
  • Livros













Sim, essas belezinhas chegaram hoje. Pelo que pude ler até agora, são ma-ra-vi-lho-sos! Recomendo, claro. Para quem quer manter os pés no chão e cabeça nas nuvens.
  • DVD

Ah, eu adorei esse filme. É bastante fiel ao livro. Talvez um pouco longo, mas instigante. Audrey Tautou e Tom Hanks se encaixaram perfeitamente nos personagens, creio eu.
Sinopse: Robert Langdon (Tom Hanks) é um famoso simbologista, que foi convocado a comparecer no Museu do Louvre após o assassinato de um curador. A morte deixou uma série de pistas e símbolos estranhos, os quais Langdon precisa decifrar. Em seu trabalho ele conta com a ajuda de Sophie Neveu (Audrey Tautou), criptógrafa da polí­cia. Porém o que Langdon não esperava era que suas investigações o levassem a uma série de mensagens ocultas nas obras de Leonardo Da Vinci, que indicam a existência de uma sociedade secreta que tem por missão guardar um segredo que já dura mais de 2 mil anos.
  • Cinema












Dentre vários, o meu "D Duplo" é composto por estes dois filmes. O primeiro, Maria Antonieta, faz o gênero alternativo, escrito e dirigido por Sofia Coppola - sim, a filha do diretor de O Poderoso Chefão. Com a participação da graciosíssima Kirsten Dunst (de Homem-Aranha). O segundo, Piratas do Caribe 3, é o tipo de filme hollywoodiano, superprodução e coisa e tal. Mas com a participação de Johnny Depp (de A Fantástica Fábrica de Chocolates), Orlando Bloom (de Senhor dos Anéis) e Keira Knightley (de Rei Arthur). Vale salientar que a estréia será no dia 25 de Maio.

Então alguém com carro, bicicleta ou coragem para me sequestrar da minha vida... Por favor, me leve ao cinema! (risos)


  • Exposição
Ele idealizou o helicóptero e a bicicleta; desenvolveu trabalhos de anatomia e mecânica. Nas horas vagas? Ah, ele pintava.


LEONARDO DA VINCI - A EXIBIÇÃO DE UM GÊNIO

A maior exposição do artista. Com mais de 150 peças: 75 máquinas em Grande Escala, Manuscritos, 40 Desenhos, Arte Renascentista, Documentário e Animação 3D.

A genialidade do inventor, cientista e mestre da pintura italiana Leonardo da Vinci (1452-1519) está sintetizada na amostra de 150 peças. São todas réplicas, já que a maior parte de seus desenhos, estudos anatômicos e os famosos códigos Da Vinci - espécie de manual didático - não sai das instituições onde estão guardados. Entre as atrações está o estudo O Homem Vitruviano, representado numa montagem tridimensional.

Parque do Ibirapuera, portão 3. Segunda a sexta, 9h às 19h; sábado, domingo e feriados, 10h às 20h. Bilheteria R$ 30,00. Até 29 de julho.


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E a minha adorável sexta-feira acabou em um jantar maravilhoso com a Monalisa. Agora, só falta uma enorme xícara de café ao som de Alanis Morissette.