terça-feira, julho 28, 2009
Desespero Estrangeiro
quinta-feira, abril 16, 2009
Ao jovem de hoje, um lembrete
domingo, fevereiro 08, 2009
Red Code
domingo, novembro 16, 2008
MacArthur Park
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A proposta ainda estava de pé. Ele me ligaria, claro. Ele tinha que me ligar. Ele só deveria decidir o que queria primeiro. O fato de ele estar no controle da situação fez a minha garganta queimar, abafando um grito. Deitei na minha cama para não desmaiar de horror – eu estava vulnerável, de novo. Liguei meu mp4 no último volume, encontrei a banda mais fossa que tinha ali (Creed) e deixei no repeat. E como não poderia ser mais patético, eu cochilei com o celular na mão.
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Acordei lentamente enquanto meu travesseiro vibrava debaixo da minha cabeça. Alguns segundos depois eu percebi que era o meu celular e que minha mão estava quase sofrendo necrose. Era uma mensagem, não de quem eu esperava que fosse, mas de quem eu precisava agora. A mensagem dizia: "Acabei de chegar da festa dos meus tios, às 8h vou correr, que ir? Te espero por 10 minutos". Incrível como ele já sabia que eu iria me atrasar e chegar dez minutos depois.
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Olhei no relógio e eram três horas da manhã. Ele era mesmo um atleta, hã? Não precisei pensar duas vezes, meus dedos já estavam correndo pelos botões do celular. Mesmo inconsciente eu saberia aquele número. Ele atendeu na primeira chamada. Eu não precisava dizer mais do que algumas palavras: “Você pode me encontrar agora?” E a frase nem deveria ter terminado com uma interrogação. Não importava quando nem onde nem como, eu sabia que ele estaria lá.
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Ele já estava sentado na calçada quando eu abri o portão. Sorriu para mim como se eu não fosse louca e me ofereceu a coca-cola que ele estava tomando. Eu me sentei ao lado dele e dei um gole. Ele me abraçou e perguntou: “O que aconteceu?” Só ele sabia como arrancar minhas máscaras com tanto carinho. Como eu poderia me opor? Ele me conhecia melhor do que eu mesma.
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Contei tudo em detalhes. Ele ouvia atento e sério, embora tudo aquilo fosse uma confissão de uma não-adolescente em crise. Quando terminei minha peripécia, eu já estava sorrindo. Mas ele, para a minha surpresa, não parecia muito divertido.
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- Por que você ainda dá bola pra esses babacas? – ele perguntou e o sorriso sumiu do meu rosto.
- Eu não sei... Eu achei que dessa vez eu estava apostando em algo seguro – respondi com tristeza, porque a decepção na minha voz era verdadeira.
- Eu fico feliz que você tenha superado a fase dos bad boys. Mas por que você tem que apostar nos nerds inseguros? Não dá pra encontrar um meio-termo? – ele perguntou, mas com um sorriso dessa vez. Ah, o poder de acalmar que aquele sorriso exercia sobre mim.
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Eu ria em voz alta enquanto ele comentava sobre o meu péssimo gosto para homens. Eu não precisava dizer em voz alta e ele não precisava me confirmar: o meio-termo era ele, sempre foi. O primeiro, o maior, o melhor. Ninguém, jamais, o destronaria.
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Estava quase amanhecendo quando voltamos para nossas respectivas casas. Só quando me afastei dele percebi o quão frio estava. Nenhuma novidade. Quando aqueles braços protetores me deixariam passar frio? Nunca! Lembrei-me de que estava com a jaqueta dele. Respirei fundo no tecido, transformando aquele cheiro que me era tão familiar numa memória. Joguei o celular em qualquer lugar e me deitei novamente em minha cama. Agora era aquela jaqueta que ocuparia minhas mãos. Uma prova de que mesmo depois de todos os amores da minha vida, ele sempre seria o maior e eu nunca saberia dizer por quê.
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Você deve estar se perguntando por qual motivo nós não estamos juntos agora. Eu te contaria, mas essa... É uma outra história.
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“Spring was never waiting for us, dear
sábado, novembro 01, 2008
Be Kind, Rewind
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Não mais encontrarei os mesmos rostos sonolentos e os sorrisos fáceis como os meus. E esse fato, o reconhecimento dele, fez doer em lugares que eu nem sabia que existiam dentro de mim. É o apego de novo. O apego mais cruel – o apego inconsciente. Você não precisa ser um leitor assíduo deste blog para saber que o meu dilema diário é o desapego. O apego que eu não sou capaz de negar; o desapego que é saudável exercer.
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Até hoje de manhã antes de atravessar, ainda uma vez, os portões do estacionamento do colégio e subir as escadas em direção à sala de aula, eu acreditava, de fato, que estava curada desse bem incômodo. A palavra soará piegas, mas vá lá: eu acreditava ser imune ao amor, ao apego, ao medo de perder o quer que fosse. Até hoje de manhã eu tinha a glória dos inconfiáveis, pois não se deve confiar naquele que não tem nada a perder. Mas eu tenho. E não só tenho algo a perder, eu perderei.
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Ainda tenho algumas semanas, mas serão poucas. Eu preciso que eles, meus amados amigos de todos os dias, saibam disso. Preciso que saibam que a minha apatia matutina e as minhas poucas frases, em sua maioria sarcásticas, são elementos de uma máscara de auto-preservação inútil que eu coloquei e esqueci de retirar, mas que não me fez esquecer de como me sinto debaixo dela e nem de quem eu sou e do quanto eles fazem parte de mim.
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Embora o nosso fim como sociedade-alternativa-anti-popularidade aproxime-se a cada palavra escrita e frase dita, o nosso elo não se perderá. Sempre levaremos a lembrança saudosa das testemunhas de nossas fases mais bizarras, da rebeldia, dos hormônios em fúria, das conversas fora de hora, dos comentários inapropriados, das propostas à legalização da maconha, das aulas de sexo do “Pssô Willah”, das encenações da “Professora Cretina”, das palavras de baixo-calão do “Vô Alencar” entre tantas outras barbaridades que nos pertencem, porque estivemos lá. E porque, para todos os propósitos, construímos memórias que estarão conosco, muito além do tempo e espaço.
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No dia 21 de Dezembro de 2008, daremos um último show. Uma vez que é fado, que está sacramentado, deixemos que a chuva de prata caia, que as cortinas se fechem e que as luzes se apaguem. De ontem em diante seremos o que somos no instante agora.
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Meus meninos nerds, minhas meninas impossíveis, meus vagabundos e preguiçosos, eu amo todos vocês. Quando a vida nos oferece um sonho muito além de todas as nossas expectativas, é irracional lamentar quando chega ao fim. E ainda assim, vou sentir saudade. Cuidem-se. Um beijo de esmagar as maçãs do rosto, e um abraço daqueles urgentes.
sexta-feira, outubro 24, 2008
Proposta Entorpecente
quinta-feira, setembro 04, 2008
Consertos e Reparos
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Aí eu viro para a Bruna e falo, sem gozação: “Tô com uma preguiça de viver ultimamente”. Ela arregala os olhos, incrédula – infelizmente, a convivência a tornou apta a reconhecer a ironia no meu tom de voz, e neste caso, a ausência dela -, e diz: “Pára de falar bobagem! Você é jovem demais pra ficar dizendo essas coisas!”. Uh, ela se irritou. Ela sempre se irrita quando me vê miserável, mesmo com toda a paciência que sempre tem comigo. Eu dou uma risada convincente, e mudo de assunto. Ela não pode entender. Talvez eu não esteja me expressando corretamente. Deixo ela e as outras mulheres na mesa tagarelarem sem mais interrupções. Às vezes, elas até me distraem. Embora a maioria saiba que eu não estou ali. Algumas vezes a minha distância as incomoda e elas me sacodem, fazem piada, arrancam algumas risadas involuntárias. E então eu volto pra elas, porque uma coisa é me sentir miserável, outra bem diferente é fazer com que os outros se sintam do mesmo modo. Eu me importo com elas, não quero que elas se preocupem comigo. Eu nem mesmo sei do que reclamo tanto, e isso que me cansa e me aborrece cada dia mais.
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Que mal eu fiz aos deuses todos?
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Fernanda e Bruna criaram uma solução: preciso de um namorado. Eu geralmente falo algo irônico/erótico que as fazem rir freneticamente quando elas mencionam tal solução descabida. Se o meu problema fosse carência, os dias seriam todos azuis. Mal elas desconfiam que isto é apenas uma estratégia infalível para mudar o rumo da conversa, e principalmente, o tema: eu. Namorar é legal, tem suas vantagens; mas não é pra mim. Eu gosto de ficar sozinha, sou egoísta. Ah, nem vou começar a enumerar os motivos para não ter um namorado.
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Nada de holofotes, por favor. Poupem o tapete vermelho para os que não tropeçam com freqüência.
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Veja só, comecei escrevendo sobre a decoração do meu quarto/batcaverna e terminei falando sobre a consultora de moda e a nutricionista – futuras, pelo menos – que me arrastam, sem reclamações, pelos dias entediantes. Será que algum dia eu vou escrever algo que realmente faça algum sentido? Algo construtivo?
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Não responda.
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Sobre a decoração, esqueça o que foi dito. A gaveta vai continuar quebrada por algumas décadas e a estante ainda agüenta o peso das palavras até o fim do ano. O quarto, bom, ainda é lilás. Vou ignorar a frase escrita na parede como faço com todo o resto, apagar a luz e dormir, desejando sonhar em acordar ontem, ou na semana passada, ou no dia em que os dias eram ansiados.
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quinta-feira, agosto 28, 2008
O poder dos morangos
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Senti minha cabeça rodar e minhas narinas arderem, a chuva torrencial estava para desabar dos meus olhos. “Não!”, gritei por debaixo do fôlego. As nuvens negras dos meus olhos pressionaram, encharcadas, mas recuaram com o horror do meu tom. Ajoelhei no chão e comecei a desfazer as sacolas, ou destrinchá-las brutalmente! Guardei os frios na geladeira e a fechei, com ódio emergindo das minhas palmas. Pude ouvir os frascos lá dentro balançarem e se chocarem. A platéia que podia me ouvir lá da sala de estar invadiu o ringue e perguntou-me, preocupada: “Você está bem?”. Engoli seco, minha voz não a convenceria da minha sanidade, eu apenas assenti. Coloquei o abacaxi em cima do mármore para fatiá-lo, fatiar a lembrança daquele rosto latente em minha mente. A invasora arregalou os olhos quando me viu puxar uma faca da gaveta e fechar a mesma, de novo com força demais. Controle-se, mulher! eu suspirei pra mim mesma ao notar sua reação. Levantei minha mão livre, impedindo sua aproximação, e fechei os olhos para me recompor. “Me dê um minuto, está bem?”, minha voz saiu quebrada e eu percebi que a tempestade estava à espera. Abri os olhos para encarar a mulher boquiaberta, e tentei sorrir. Ela torceu os lábios, enrugou a testa, mas se afastou sem dizer nada. Eu não convenceria ninguém esta noite. Ninguém. Nem a mim mesma. A rendição alimentou as nuvens ansiosas nos meus olhos, senti minha respiração desregular e o sangue subir para as minhas bochechas. Larguei a faca no mármore frio e me encolhi ao deixar meu corpo cansado cair sobre a banqueta novamente.
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É melhor deixar chover... de uma vez por todas. As nuvens ácidas derreteram o chocolate vívido dos meus olhos, apertei os com força, levando as pontas dos dedos às têmporas mais uma vez. Era tarde demais. A ardência nas narinas e nos olhos que sempre eram seguidas de uma tempestade incessante de lágrimas traiçoeiras percorria todo o meu corpo, fazia meus ossos virarem esponja, fazia do leão rugindo em meu peito um gatinho acuado. Sua tola. As lembranças enterradas e adormecidas na minha alma despertaram, atravessando minha mente, velozes, astutas, golpeando-me por todos os ângulos. Gemi um choro silencioso, reconhecendo aquela dor antiga. E, de repente, imagens turvas de uma menina pintando os lábios para impressionar alguém; uma menina corando com elogios ocasionais que lhe eram feitos, recebendo com carinho e admiração mentiras sinceras, restos e sobras. Uma última imagem, mais nítida e recente do que as outras, passou por mim agora, demorando um pouco mais para escurecer, prolongando o misto de agonia e prazer – se despedindo. Um rosto quase esquecido, pouco à vontade, sorrindo, tímido: a cena final de um curta-metragem surreal. “Ainda uma vez, adeus”, eu murmurei.
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Duas lágrimas caíram: uma pelo que poderia ter sido; outra por o que não foi. Abri os olhos, piscando repetidas vezes, limpando a visão da realidade nua e simples da minha cozinha. Apoiei minha cabeça nos joelhos e deixei os fios longos e embaraçados do meu cabelo colidirem com o chão. Sorri. Sorri largamente agora. Joguei minha cabeça pra cima, retomando minha posição. Não foi um roteiro muito criativo, não é? pensei, divertida. Que curta-metragem desconexo nossa história tinha sido. Nossa não, minha. Ele não envelheceu nem um dia, queira Deus que ele fique bem. Alma lavada.
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Voltei-me para o meu lado de dentro, analisando os estragos que esta tempestade devia ter feito. Hum, nada mal. Sorri de novo, com humor. Apenas uma velha cicatriz dolorida na minha alma, daquelas primeiras feridas da imaturidade. Pobre menina remendada. Respirei fundo antes de voltar para o abacaxi em pedaços e para os morangos recém-lavados sobre o mármore. Ah, enfim. Sorri pra mim mesma uma última vez esta noite, aspirando o cheiro delicioso das frutas na minha pele, sentindo o gosto doce e cítrico na minha língua – o gosto que a vida tinha, e que sempre haveria de ter.
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Agora já não me importava quantas vezes mais o azedume do amor se faria presente no meu ser, no meu ego ferido. Na estrada dos que não se abandonam, sempre haveriam morangos.
terça-feira, julho 29, 2008
Molduras vazias
domingo, julho 13, 2008
Viva lá revolución
domingo, junho 22, 2008
Como nossos pais
quinta-feira, junho 19, 2008
Mutante Mulher
Me sou conveniente.
Me sou suficiente, e só.
domingo, junho 15, 2008
Dia dos Namorados
sábado, junho 07, 2008
Afraid so
quinta-feira, maio 22, 2008
Epifania Pálida
segunda-feira, maio 12, 2008
< Digitar uma mensagem pessoal >
sexta-feira, abril 04, 2008
Confissão
segunda-feira, março 31, 2008
À Espera
domingo, março 16, 2008
O Salto, por Antonio Prata
A gente não tem como saber se vai dar certo. Talvez, lá adiante, haja uma mesa num restaurante, onde você mexerá o suco com o canudo, enquanto eu quebro uns palitos sobre o prato – pequenas atividades às quais nos dedicaremos com inútil afinco, adiando o momento de dizer o que deve ser dito. Talvez, lá adiante: mas entre o silêncio que pode estar nos esperando então e o presente – você acabou de sair da minha casa, seu cheiro ainda surge vez ou outra pelo quarto –, quem sabe não seremos felizes? Entre a concretude do beijo de cinco minutos atrás e a premonição do canudo girando no copo pode caber uma vida inteira. Ou duas. Passos improvisados de tango e risadas, no corredor do meu apartamento. Uma festa cheia de amigos queridos, celebrando alguma coisa que não saberemos direito o que é, mas que deve ser celebrada. Abraços, borrachudos, a primeira visão de seu necessaire (para que tanto creme, meu Deus?!), respirações ofegantes, camarões, cafunés, banhos de mar – você me agarrando com as pernas e tapando o nariz, enquanto subimos e descemos com as ondas – mãos dadas no cinema, uma poltrona verde e gorda comprada num antiquário, um tatu bola na grama de um sítio, algumas cidades domesticadas sob nossos pés, postais pregados com tachinhas no mural da cozinha e garrafas vazias num canto da área de serviço. Então, numa manhã, enquanto leio o jornal, te verei escovando os dentes e andando pela casa, dessa maneira aplicada e displicente que você tem de escovar os dentes e andar ao mesmo tempo e saberei, com a grandiosa certeza que surge das pequenas descobertas, que sou feliz. Talvez, céus nublados e pancadas esparsas nos esperem mais adiante. Silêncios onde deveria haver palavras, palavras onde poderia haver carinho, batidas de frente, gritos até. Depois faremos as pazes. Ou não? Tudo que sabemos agora é que eu te quero, você me quer e temos todo o tempo e o espaço diante de nossos narizes para fazer disso o melhor que pudermos. Se tivermos cuidado e sorte – sobretudo, talvez, sorte – quem sabe, dê certo? Não é fácil. Tampouco impossível. E se existe essa centelha quase palpável, essa esperança intensa que chamamos de amor, então não há nada mais sensato a fazer do que soltarmos as mãos dos trapézios, perdermos a frágil segurança de nossas solidões e nos enlaçarmos em pleno ar. Talvez nos esborrachemos. Talvez saiamos voando. Não temos como saber se vai dar certo – o verdadeiro encontro só se dá ao tirarmos os pés do chão –, mas a vida não tem nenhum sentido se não for para dar o salto.

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