sábado, maio 19, 2007

Don't give your love away

Chegou em casa como furacão e foi jogando os livros pelo corredor. Entrou no chuveiro na esperança de aliviar-se. Jogou os braços no vidro embaçado e em linha vertical, abandonou-se. Bateram a porta muda e nenhum ruído de lá saiu. Insistiram três ou quatro vezes, mas logo perceberam que só fariam esperar.
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Do lado de dentro os sentimentos eram intensos e confundiam-se. O gosto ácido de arrependimento na boca não a deixava levantar. A água, que antes escorria como perdão divino, não lavava sua alma, não mais. Sua mente corria em anos-luz, rejeitando o passado, buscando um destino. Criou milhares de desculpas para si mesma e, ao fim, percebendo que não haveriam argumentos convincentes, admitiu. Matara o amor naquela manhã de muitos casacos e poucos motivos.
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Uma, duas, três. Quantas vezes a mesma lamentável história vai se repetir? Ao trancar a porta é tudo desapego. Brindou a decadência e a ausência de esperança num grito interno.
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(A quebra do silêncio que só você escuta.
A quebra do silêncio que só, você escuta.)
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Desligou o chuveiro. Enrolou-se na toalha branca com seu nome bordado em letras grandes. Passou a mão pelo espelho que só refletia vultos e não reconheceu a mulher que havia se tornado. Não ouviu sua voz, mas leu seus lábios que diziam: "Então, isso é felicidade para você?"
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Destrancou a porta e atravessou o corredor como quem não conhece o caminho de onde se quer chegar. Sentado na cadeira, ela encontrou aquele rosto de expressões tão doces enterrado em suas mãos. Notando sua presença, ele levantou-se e não disse nada - e nem precisava - os olhos diziam todas as verdades. Nos olhares perdoaram-se e num abraço exagerado, encontraram-se como quem se perde e só pensa em voltar para casa, para o conforto. Sem longas frases, concordaram: "That reality, it's going to eat us alive."
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Sairam de casa naquele dia como se o desespero jamais tivesse estado lá.

sexta-feira, maio 11, 2007

Behind Blue Eyes

Os observadores olhos azuis da sala ao lado resolveram me atirar do penhasco, hoje. Por fim, confessaram em tom de segredo a minuciosa narrativa que me tem como tema. Oh, sad blue eyes. Escrevo trechos da carta que me fez morrer - de felicidade. E revelou o que era meu - meu mistério.
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"Ela sempre carrega um livro dentro da bolsa. Surge um diferente em torno de três dias e acredito que leve esse tempo para lê-los. Deixou de ser opcional, eu acho."

"Ela tem uma calma no olhar que eu não sei quão profundo me atinge, e paralisa. E mesmo nervosa, quando estrala os dedos e morde levemente o canto da boca, ela consegue ser doce."

"Hoje o sorriso dela estava tão triste. Quase passou despercebido, ela se esforça pra se segurar. Ligou e desligou o celular muitas vezes. Depois olhou pra mim e antes que eu me levantasse, sorriu um sorriso desiludido, de quem se cansa de esperar mas não desiste."

"Ela teve um amor, já deu pra sentir. O modo racional como ela fala de relacionamento não me convence. Tanto mistério por trás daquelas mãos amáveis."

"Qualquer adjetivo pode parecer meio bobo quando se está tão perto de conhecê-la verdadeiramente. Ela é o tipo de garota que a gente encontra por acaso, ali ou aqui, talvez numa torrente de azar e quando se dá conta já não consegue ficar longe. Eu não consigo."
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Quando terminei de ler as quatro folhas, extasiada, emocionada, meio morta e meio viva, disse: "Logo você, dono desses olhos suspeitos!"

Ele respondeu, sorrindo: "Agora eu sou culpado, confesso."



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My own world behind those blue eyes.

domingo, abril 29, 2007

Striptease

Chegou no apartamento dele por volta das seis da tarde e sentia um nervosismo fora do comum. Antes de entrar, pensou mais uma vez no que estava por fazer. Seria sua primeira vez. Já havia roído as unhas de ambas as mãos. Não podia mais voltar atrás. Tocou a campainha e ele, ansioso do outro lado da porta, não levou mais do que dois segundos para atender.
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Ele perguntou se ela queria beber alguma coisa, ela não quis. Ele perguntou se ela queria sentar, ela recusou. Ele perguntou o que poderia fazer por ela. A resposta: sem preliminares. Quero que você me escute, simplesmente. Então ela começou a se despir como nunca havia feito antes.
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Primeiro tirou a máscara: "Eu tenho feito de conta que você não me interessa muito, mas não é verdade. Você é a pessoa mais especial que já conheci. Não por ser bonito ou por pensar como eu sobre tantas coisas, mas por algo maior e mais profundo do que aparência e afinidade. Ser correspondida é o que menos me importa no momento: preciso dizer o que sinto".
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Então ela desfez-se da arrogância: "Nem sei com que pernas cheguei até sua casa, achei que não teria coragem. Mas agora que estou aqui, preciso que você saiba que cada música que toca é com você que ouço, cada palavra que leio é com você que reparto, cada deslumbramento que tenho é com você que sinto. Você está entranhado no que sou, virou parte da minha história."
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Era o pudor sendo desabotoado: "Eu beijo espelhos, abraço almofadas, faço carinho em mim mesma tendo você no pensamento, e mesmo quando as coisas que faço são menos importantes, como ler uma revista ou lavar uma meia, é em sua companhia que estou". Retirava o medo: "Eu não sou melhor ou pior do que ninguém, sou apenas alguém que está aprendendo a lidar com o amor, sinto que ele existe, sinto que é forte e sinto que é aquilo que todos procuram. Encontrei".
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Por fim, a última peça caía, deixando-a nua:"Eu gostaria de viver com você, mas não foi por isso que vim. A intenção é unicamente deixá-lo saber que é amado e deixá-lo pensar a respeito, que amor não é coisa que se retribua de imediato, apenas para ser gentil. Se um dia eu for amada do mesmo modo por você, me avise que eu volto, e a gente recomeça de onde parou, paramos aqui".
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E saiu do apartamento sentindo-se mais mulher do que nunca.
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Por Martha Medeiros.
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E tudo que eu gostaria de dizer.
Da coragem, só restou a poesia.

sexta-feira, abril 27, 2007

Lovely Friday

São sextas-feiras como esta - cinzentas, chuvosas, mas muito confortáveis - que fazem a semana valer a pena. À noite, como de costume, fui alugar alguns filmes. E após uma longa e deliciosa conversa com o Ricardo (o cara do "oi! tudo bom?"), os meus bolsos esvaziam-se e o meu coração bate acelerado por essa enorme e eterna paixão por cinema. Os filmes dessa sessão você pode conferir no The Script, nos próximos dias.
  • Livros













Sim, essas belezinhas chegaram hoje. Pelo que pude ler até agora, são ma-ra-vi-lho-sos! Recomendo, claro. Para quem quer manter os pés no chão e cabeça nas nuvens.
  • DVD

Ah, eu adorei esse filme. É bastante fiel ao livro. Talvez um pouco longo, mas instigante. Audrey Tautou e Tom Hanks se encaixaram perfeitamente nos personagens, creio eu.
Sinopse: Robert Langdon (Tom Hanks) é um famoso simbologista, que foi convocado a comparecer no Museu do Louvre após o assassinato de um curador. A morte deixou uma série de pistas e símbolos estranhos, os quais Langdon precisa decifrar. Em seu trabalho ele conta com a ajuda de Sophie Neveu (Audrey Tautou), criptógrafa da polí­cia. Porém o que Langdon não esperava era que suas investigações o levassem a uma série de mensagens ocultas nas obras de Leonardo Da Vinci, que indicam a existência de uma sociedade secreta que tem por missão guardar um segredo que já dura mais de 2 mil anos.
  • Cinema












Dentre vários, o meu "D Duplo" é composto por estes dois filmes. O primeiro, Maria Antonieta, faz o gênero alternativo, escrito e dirigido por Sofia Coppola - sim, a filha do diretor de O Poderoso Chefão. Com a participação da graciosíssima Kirsten Dunst (de Homem-Aranha). O segundo, Piratas do Caribe 3, é o tipo de filme hollywoodiano, superprodução e coisa e tal. Mas com a participação de Johnny Depp (de A Fantástica Fábrica de Chocolates), Orlando Bloom (de Senhor dos Anéis) e Keira Knightley (de Rei Arthur). Vale salientar que a estréia será no dia 25 de Maio.

Então alguém com carro, bicicleta ou coragem para me sequestrar da minha vida... Por favor, me leve ao cinema! (risos)


  • Exposição
Ele idealizou o helicóptero e a bicicleta; desenvolveu trabalhos de anatomia e mecânica. Nas horas vagas? Ah, ele pintava.


LEONARDO DA VINCI - A EXIBIÇÃO DE UM GÊNIO

A maior exposição do artista. Com mais de 150 peças: 75 máquinas em Grande Escala, Manuscritos, 40 Desenhos, Arte Renascentista, Documentário e Animação 3D.

A genialidade do inventor, cientista e mestre da pintura italiana Leonardo da Vinci (1452-1519) está sintetizada na amostra de 150 peças. São todas réplicas, já que a maior parte de seus desenhos, estudos anatômicos e os famosos códigos Da Vinci - espécie de manual didático - não sai das instituições onde estão guardados. Entre as atrações está o estudo O Homem Vitruviano, representado numa montagem tridimensional.

Parque do Ibirapuera, portão 3. Segunda a sexta, 9h às 19h; sábado, domingo e feriados, 10h às 20h. Bilheteria R$ 30,00. Até 29 de julho.


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E a minha adorável sexta-feira acabou em um jantar maravilhoso com a Monalisa. Agora, só falta uma enorme xícara de café ao som de Alanis Morissette.


quinta-feira, abril 26, 2007

O Futuro que vem aí

Quando é pra falar de Brasil eu grito além dos muros. O texto que segue, apesar de um pouco longo nessa estrutura virtual, vem falando de otimismo e realidade. Gosto da maneira como decompõe a tendência negativa – e correta, claro, mas eventual – quando falamos em Brasil. Pois esse é o nosso País! E patriotismo não pode existir apenas ao final de uma gloriosa copa do mundo. Leia, reflita e opine, se desejar.

Enquanto a elite política repetia os erros do passado, o País seguia em frente.
Nesses 500 anos, o Brasil saltou da Idade da Pedra para a Era da Informática. Um brasileiro, o marechal Rondon, ensinou o mundo a respeitar os indígenas. Outro, Mauá, dirigiu bancos e empresas multinacionais antes que alguém falasse disso.
Apesar do que dizem os americanos, foi um brasileiro que deu asas ao homem: Santos Dumont, com seu 14 Bis. E outro, o cientista Carlos Chagas, ensinou países tropicais a combater a doença que ficou conhecida pelo seu nome.
O Cinema Novo, criado no Brasil, mexeu com as cabeças pensantes do mundo.
A seleção brasileira de futebol impôs um estilo de jogo que encantou o mundo, e em outros esportes temos acumulado vitórias e mais vitórias. E Pelé, símbolo do futebol-arte, virou marca mundial de qualidade e criatividade.
A obra do escritor Machado de Assis agora é descoberta na Europa e nos Estados Unidos. E Guimarães Rosa, um dos nossos maiores escritores, depois de sua morte conquistou a admiração do mundo.
Desde os tempos da Bossa Nova, nossa música faz sucesso por todos os cantos do planeta, da América do Sul ao Japão e da Rússia aos Estados Unidos.
Mas foi com o trabalho anônimo de milhões de brasileiros que chegamos até aqui. Criamos universidades, desenvolvemos a pesquisa científica e hoje somos um dos maiores fabricantes mundiais de automóveis e aviões.
Nos tempos coloniais, quando o povo nem tinha voz, o Brasil produziu mais riquezas que os Estados Unidos, apesar de maus governos, da corrupção e dos impostos que sufocavam a produção econômica.
Agora que vivemos numa democracia e o povo fala e decide, o País pode inaugurar um novo século em condições de crescer cada vez mais e resolver de uma vez por todas os problemas que ficaram do passado: pobreza, fome, analfabetismo, corrupção e todas as manchas de autoritarismo e impunidade que ainda existem por aí.
Houve um tempo em que se dizia, na Europa, que nenhuma civilização podia sobreviver nas regiões tropicais, porque o clima quente e as doenças faziam o homem ficar preguiçoso e improdutivo.
Também se disse que a mistura de raças nunca ia dar certo: como é que portugueses, indígenas e africanos, que odiavam o trabalho, iam criar um país?
Fracassaram todas as profecias, feitas até por brasileiros, que condenavam o Brasil ao fracasso. Criamos uma sociedade na qual convivem pessoas de todas as raças, etnias e origens. Nem sempre em paz, como já vimos. Mas um dia a gente chega lá.
Só não podemos ignorar nossa História e as lutas, o sofrimento e o sangue com que foi construída. Não somos e nunca seremos um país perfeito, porque isso não existe. Mas o progresso, a paz e a justiça com que sonhamos só dependem de nós.

(Retirado de “Brasil 500 anos – História do Povo Brasileiro”, escrito por Sebastião Martins e André Carvalho)

domingo, abril 22, 2007

The Next Door Waits

Quando algo além do meu controle acontece, eu só consigo escrever na terceira pessoa. O que é um tanto covarde da minha parte, admito. Mas para quem, como eu, tem essa necessidade de congelar momentos e detalhes... bom, isso funciona. Talvez porque nesses instantes abençoados pelos elementos naturais, eu não seja eu, entende? Nesse instante, não sou aquela que acorda cedo, toma banho, penteia o cabelo, escova os dentes e segue o roteiro. Nesse instante, sou uma das personagens das mil e uma estórias que crio como final alternativo das coisas. E talvez isso seja vida. Esse sopro de poeira cósmica onde tudo que você faz é construir memórias.

Eu, no caso, vivo de intervalos. Sim, aqueles momentos em que você se recolhe em seu lado de dentro. Está acompanhando? Por exemplo, aquele instante, antes de sair de casa, quando você olha tudo e desce as escadas imaginando “quando será a última vez?”. Ou na metade da sua rica correria, dentro do ônibus, quando você contempla todos aqueles rostos que, muito provavelmente, não vai tornar a ver. Tudo ali, e então o olhar se perde e, no sopro, tudo desaparece.

O que é realidade, afinal? Porque nesses intervalos, eu posso jurar que o tempo pára. Realidade, para mim, é quando eu me torno personagem. Quando a dor é tão grande que eu quero ser outra pessoa, estar em outro lugar. Consegue entender? Quando o medo de perder o momento presente se torna maior do que você e de tudo que você é até então.

Quero dizer, quando será a última vez? A última vez que eu vou descer as escadas girando o molho de chaves no dedo, enquanto o sol surge majestosamente para abençoar meu dia. Ou a última vez que eu vou dançar sozinha no quarto, quando ninguém está olhando e eu percebo quão divertido o tédio pode ser.

E então eu me torno personagem de uma história que recomeça na porta ao lado.

Ela se afasta com as mãos nos bolsos da velha calça jeans. Se afasta de tudo que um dia ela mais desejou ter. Para acordar numa manhã de domingo e dizer “é meu”. E quem pode dizer que será a última vez que ela encontra o amor? E quem pode dizer que não será?

Seja como for.
Just... go.

sexta-feira, abril 20, 2007

Last Looks

O problema é a espera.
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Malas prontas e o trêm para "qualquer lugar" passará em breve. Ela espera, sentada em um banco antigo de madeira. Poucas malas - ela não tem história para contar - uma mochila bege, contendo todos os seus valiosos detalhes. A roupa fica entre o vestido verde e o jeans azul - indecisa entre ser mulher e ser menina. Os calçados ela não escolhe mais, vai descalça. O sorriso é satisfeito, mas imcompleto. O olhar se perde no horizonte distante, os olhos acostumam-se, aos poucos, com a ausência das lágrimas. O cabelo é o mesmo de sempre, bagunçado, debochado e cacheado - o cabelo não a irrita mais. É outono. As folhas amareladas caem sobre ela, ali, parada à espera. O som é do vento, soprando o passado para longe. Mas o som dos fones é Linger dos Cranberries - porque, talvez, seja uma boa pedida para a despedida. Procura no lado de dentro o pouco que sobrou - fim dos trilhos.
No final da estação ela observa o moço, correndo em sua direção. Ele se ajoelha, exausto, e deita a cabeça em seu colo. Ela o acaricia e, imediatamente, o perdoa pelo atraso. Ele respira devagar enquanto a observa, com aqueles grandes olhos que chovem ternura e diz:
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- Fique comigo.
- A passagem já está paga. - ela sorri - Este é o lugar que você pertence, onde o seu belo futuro está.
- O meu futuro é incerto, mas está claro para mim que é ao seu lado.
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Ela não chora. Só o abraça forte. Nesse instante, ele soube que o tempo a levaria para sempre. O trêm apita ao longe e, finalmente, chega. Ela salta para dentro, senta ao lado da janela e o observa, desolado. A espera dela se mistura entre o trêm e o verdadeiro amor. Não admite para ninguém, mas vê seu futuro ali, chorando ternura e mágoa. Contudo, ela sabe que o seu único lar sempre foi seu lado de dentro, e toda a doçura que aquele amor deixara lá. Da janela ela observa o outono e a cena que ela jamais esquecerá. E como uma especialista em últimos olhares, aquele era, incognitamente, do seu único grande amor.
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domingo, março 25, 2007

Traços e Passos


Ela admira no reflexo do espelho os traços de sua juventude. Os ombros lascivos, os lábios rubros e as curvas que a tornam uma bela mulher. Cuida dos pés, pois a caminhada é longa, cuida das mãos, pois alguém pode precisar de ajuda, cuida do colo porque um dia ele vem, e ela não irá deixá-lo ir embora, porque ele ama tudo que ela tanto cuidou.

O resto do roteiro ela já sabe: Vocês vão brigar inúmeras vezes por motivos que nenhum dos dois lembrará no dia seguinte porque, quando se ama, tudo isso vale a pena. Vão ter filhos e vê-los crescer, e suas vidas passarão. Ao final da jornada você terá traços de experiência, que não serão nada mais do que os seus erros aglomerados em uma palavra soando satisfatoriamente. O reflexo do espelho terá rugas e cabelos brancos, porque esse é o prêmio que se recebe por fazer a coisa certa, da maneira certa. Passeará pelos parques e vez ou outra verá uma jovem, com o olhar perdido no horizonte, e sorrirá, pois esse jovem silêncio é sinal de um amor pré-maturo, raiando ao amanhecer da vida.

- Então o que a senhora sugere?
- Encontre a pessoa certa e viva da melhor maneira possível.
- E se eu não encontrá-la?
- Mas ela está por aí, mocinha, procurando por você.

A jovem se levanta e segue em passos rápidos com traços de esperança no rosto. Atrasada, perde o ônibus e acaba por conformar-se em um dos bancos. Pensa na senhora, nos conselhos, e enquanto tenta traduzir todos os pensamentos, encontra uma carteira caída no chão. No mesmo instante, surge um rapaz dobrando a esquina da rua mal iluminada, apressado e desajeitado, que vem ao seu encontro e diz:

- Pelos céus! Muito obrigado por ter encontrado!
- Por nada – ela responde confusa.
- Quando perdi o ônibus, sentei bem onde você está, mas logo desisti de esperar. Sabe, sou meio impaciente. Na metade do caminho dei falta da carteira. Muito obrigado mesmo! Não sabe o quanto procurei...

A jovem sorri pelo jeito do rapaz falar atropelando os fatos, e o rapaz gosta do jeito que o cabelo dela cai sobre os olhos quando ela sorri. Como gratidão ele a convida para um café, ela aceita, e ali o roteiro toma seu rumo.

A senhora volta para casa em passos lentos que a idade avançada proporciona. Senta em sua polida mesa e encerra o último capítulo de seu livro com a frase: “deixe o acaso fazer a sua parte”.

Talvez seja aí que acaba, mas já não restam argumentos se não for... Bom, é a vida.




quarta-feira, março 21, 2007

I'm Trying

Então as coisas são assim: se acumulam, se confundem e, eventualmente, se perdem. Elas giram, giram... e apontam um caminho, o qual você, obediente, segue e organiza. Just it. Muito provavelmente você mudou a realidade que costumava ser desagradável. Porque você já não fala muito, anda em passos largos e desenha uma expressão indiferente a todo o resto; mas sim, você gosta dos ônibus porque eles movimentam sua rotina e, dentro ou fora desse paralelo, sempre surge uma novidade.
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Mais dia, menos dia eu me divido entre a rotina e o desejo de não tê-la, porque aí, meu caro leitor, tudo parece ter um contraste e se complica, certo? Whatever.
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Por fim, encontro a tradução dos meus desejos e dos meus deveres, e o título se encaixa quando, na verdade, tudo está no seu exato lugar.
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O futuro é um conjunto de possibilidades que se concretizam ou não, dependendo em parte da vontade dos homens, em parte das circunstâncias. Karl Marx
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So here I am, baby, I'm trying.

sábado, março 17, 2007

Try your wings

Se perto é distante e longe é quase impossível, me diz:
Onde você quer ficar?

Fique.
Vá.
Não fuja.
Não suma.
Fique, por hora.
Vá, sem demora.

A dor da partida da incerteza se tornou tão doce, que eu poderia dizer "boa noite" até amanhecer.

Amanheça, desejo.
Que eu já tenho sonho na mala e suspiro no abraço.
Venta. Vôe. Esse céu é só seu. Teste suas asas.
Faça da luz da noite a alegria do meu dia.

Volta, talvez.

E não esqueça desse coração (que ainda bate de saudade).

quarta-feira, março 07, 2007

Face to Face

1: É tudo muito relativo.
2: É.
1: Abstrair, a solução é abstrair! *sorri, abraça*
2: Boa, essa vai pro meu livro.
1: Acumulando planos?
2: É. Porque todo mundo deveria plantar uma árvore, ter filhos e escrever um livro.
1: Mas se for maconha, adoção e culinária, não vale.
2: Hahaha!
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Porque solidão é sempre melhor à dois.

terça-feira, fevereiro 27, 2007

Don't Look Back

Eastmountainsouth e a chuva cai lá fora. Portas de vidro semi-abertas e cheiro de conforto, cheiro de tudo que o dia deixou para trás. Numa possibilidade de felicidade, nem a dor me nega paz. Mergulho no silêncio das paredes. Paciência, menina.

Me surge desmemória: Almoçar antes das 3h da tarde, vestir a camisa listrada em tons de azul, fazer do sofá um abraço suave e do silêncio a voz do tempo. Pequenos detalhes me deixam mais livre. Então pegue estas asas quebradas e aprenda a voar.

Me surge desinteresse: Lavar os cabelos mais de duas vezes, esquecer de adjetivos, aceitar os planos que fizeram para mim, girar ponteiros corridos. Acorrentada a um destino que não me pertence ou, que eu não quero seguir.

E então a chuva se apressa e eu me acomodo, porque eu nunca fui pessoa de muitos conflitos externos. Investir na felicidade fora do alcance já é peculiaridade minha, admito. Tudo bem, meus sonhos vão se perder no tempo, mas quem liga? Eles dizem que eu nasci para ser grande e suas intenções são boas. Vejo aqueles largos e exagerados sorrisos de orgulho e me sinto pequena, covarde. Não dá para dizer: Obrigada, mas eu quero ficar.

Vai. Carrega de lágrima esses olhos que não brilham mais e deixa a chuva molhar. Me traga os anos que eu preciso e me deixa pegar o maldito vôo. Quem sabe eu não me encontro no caminho. Siga em frente em linha reta e não procure o que perder, menina.

And if you leave,
don't look back.

domingo, fevereiro 25, 2007

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yeah! join us, dude.

terça-feira, fevereiro 20, 2007

Cold Game

Poderia ficar lá por um longo tempo. Parada, quieta, calada. Acordando cedo e caminhando; os quilômetros eram pequenas distâncias de longos prazeres. A natureza a afeta de uma maneira indescritível, e também a uma boa parte das pessoas. Deixou parte dela lá, no mar. Perdeu os brincos e algumas lembranças, mas quem liga? Não podemos perder o que não é nosso, fato. Passou o vento quebrando as vidraças e o silêncio comprometedor - o vento das horas, cuidadosamente, calculadas no relógio.
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Enquanto a noite cai e as luzes das estrelas a guiam para casa, a saudade vem com a maré. As ondas quebram em seus pés, suaves e lentas. Então, dentre a escuridão a frase cruel ecoa pelo oceano: all your life, you've been only waiting for this moment to be free.
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Keep into the game.
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Depois surgiram aqueles sinais do celular que ela preferiu desligar. A viagem de volta não foi tão longa, mas desconfortável. E a frase se repetia a cada segundo. "all your life...", "all your life...".

[...]

"Querida, abra seus olhos."

domingo, fevereiro 11, 2007

Fact, no Fiction

Sad & Bad, you know.

"The memories of me
Will seem more like bad dreams
Just a series of blurs
Like I never occurred
Someday you will be loved"

"The flames and smoke climbed out of every window
And disappeared with everything that you held dear
And you shed not a single tear for the things that you didn't need
Cause you knew you were finally free"

"If there's no one beside you
When your soul embarks
Then I'll follow you into the dark"

Eu acho que nunca mencionei o quanto detesto domingos. Todos os domingos são assim, tão bucólicos. Então, você não faz nada além de ouvir Death Cab e esperar que o mesmo te eleve para um estágio mais avançado de tédio. Ah, sim. Permanece se perguntando: Por que levantei da cama hoje? E a resposta é sempre a mesma: Keep going, ass.

sábado, fevereiro 10, 2007

Losing

E agora é assim, sem muito sentimento. As pessoas me cansam e me fazem pensar em voltar a ser inútil e irresponsável. Mas não. Quando você perder, não perca a lição!
Pense em Dalai Lama.
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(pronto, você estragou o momento de reflexão)
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Pode rir, agora.

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

Done

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The old dreams... were good dreams.
They didn’t work out, but I’m glad I had them.

Well, go ahead.


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domingo, janeiro 21, 2007

Deixa Estar

Não há problema na lembrança, em perder a esperança ou no ser ímpar e não ser par. Não há problema no não ter planos, nos meus enganos ou no desencontrar. Não há problema no tédio, na dor sem remédio ou no meu caminhar.
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Há tristeza no escrever, no medo de te perder, sem poder te ganhar. Há tristeza nas partidas, nas despedidas, na lágrima recolhida no meu olhar. Há tristeza na solidão, na batida do meu coração, no telefone insistindo em não tocar.
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Mas há felicidade na família, no sorriso dessa filha em ter pai, mãe e irmã para amar. Mas há felicidade nos domingos, na chuva e no som dos pingos, no colo do meu sossegar. Mas há felicidade na vida, que começa no meu despertar - bonita, cheirosa, exibida - e sai mundo afora, vai se aventurar!
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Faça assim: não se esqueça de mim.
Deixa estar.

sexta-feira, janeiro 19, 2007

The Truth

(a parte que falta)
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Hoje, mais do que nunca, eu queria que você fosse verdade.
Well, go ahead.

quarta-feira, janeiro 17, 2007

Try Me

"I lost myself again
in the mirror of the past"

"O passado é doloroso", ele disse. E agora, que tenho a minha própria triste e complexa história, eu entendo. Apenas parece inesperada a sua grandiosa participação, nesse espetáculo que era para ser meu e somente. Após frases bonitas, olhares sinceros e palavras perfeitamente encaixadas na minha humilde vida, os trilhos não eram mais meus. As mudanças eram notáveis mas eu, teimosa, não me permitia ver. Afinal, você me guiava e eu prefiria assim, sem escolhas.
Com o passar do tempo, das lágrimas e de toda dor que a minha covardia causou, as doces fantasias tornaram-se descoloridas, e a minha presença no seu jogo, quase desinteressante. Peça fora do tabuleiro, superada ou deixada de lado, não importa.
Vírgulas...
Esse é o vazio que o meu coração carrega. Um coração dilacerado por suposições. Entenda que eu não posso trilhar meu caminho desconhecendo aquele que eu deixei para trás. Quero ter certeza que errei, ou certeza que não me arrependi. Tenho exclamado por um ponto final, seja caótico ou, supreendentemente, magnifíco; ser real é o que importa. Pois todos esses fatos inesperados, que fugiram do controle, apontam para uma direção e só ela: a oposta.